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Tori Amos 20 Year Guide – Part 2

Em 2000 representa o nascimento da filha de Tori Amos Natashya Hayley, depois de alguns abortos, que a marcaram significativamente no periodo de From the Choirgirl Hotel. Este acontecimento inspirou-a a fazer um album de versões “Strange Little Girls”, um albums de músicas de homens sobre mulheres, mas visto da perspectiva da mulher. Composto por 12 mulheres, cada uma com a sua personalidade adequada a cada musica.

Pessoalmente o album contem uma versões absolutamente geniais de Neil Young Heart of Gold, Beatles : Happiness is a Warm Gun, uma assustadora versão de Eminem Bonnie & Clyde ou Raining Blood de Slayer que teve direito a um remake absolutamente hipnotizador. Mas os fãs procuravam algo mais pessoal e Tori Amos acederia a tal pedido.

2002 : O mundo vivia no rescaldo dos ataques de 11 de Setembro e Tori Amos resolveu criar uma personagem Scarlett que ao longo de 18 canções lança-se num misto de canções, bem ao núcleo da América e da sua história, sem perder o cunho pessoal de analisar as relações, as suas discrepâncias e os comportamentos mais extremos. Seria um album conceptual, pessoal, que muitos fãs tem-no como referência maior, da fase posterior da cantora.

A Sorta Fairytale foi o primeiro single, uma balada absolutamente irresistível, mas é em Gold Dust que Tori Amos Arrebata-nos por completo, mostrando uma vulnerabilidade que apesar de toda a herança temporal e genética dos nossos antepassados, somos apenas algo perecível e só através das emoções e das memórias nos tornámos relevantes.

Em 2005 veio Beekeeper, um album algo dispar na sua discografia, sem o dramatismo, revestido de cores sensuais e primaveris. Este período representa uma fase de alienação dos fãs que já não se revêm numa Tori Amos conceptual, sem a frontalidade e a honestidade de outros tempos. A maternidade deu-lhe a serenidade necessária para exorcizar os seus demónios. Apesar de ser uma referência menor da sua discografia, é um album que vai crescendo a cada audição, mesmo que merecesse um director’s cut.

Sweet the Sting, Sleep with Butterflies, The Power of Orage Nickers são os melhores exemplos desta faceta mais descontraída de Tori Amos, um album conceptual onde se inspirou largamente em Religião e Politica. Tomara a muitos ter uma fase menos inspirada como esta.

Em 2007 seria a vez de American Doll Posse, mais um album conceptual, cujas canções são representações de 5 alter-egos Isabel, Clyde,Pip, Santa e Tori, representações de deusas gregas, cada uma com a sua personalidade, manifestando-se em várias fases do album. Acaba por ser o album mais desiquilibrado da sua carreira. 23 canções, ao longo de 80 minutos, torna-o quase inacessível. É uma manifestação criativa contra as políticas de George W Bush. Mais uma vez, um director’s cut não ficaria nada mal neste album, que contem algumas boas canções, mas emocionalmente frustrante. Dark Side of the Sun é um dos belos exemplos do album, bem como os singles de avanço Bouncing the clouds, Big Wheel.

Este período representa um período conturbado para Tori Amos. Mostra-se descontente com a promoção do seu trabalho e em 2007 termina o seu contracto com a Epic Records que tinha-se iniciado em 2002. Posteriormente assina com a Universal Records, que lhe permite uma maior autonomia sobre os seus projectos e assim afasta-se dos grandes contractos em prol de uma maior liberbade.

Em 2009 assina dois projectos. Abnormally Attracted to Sin, um album de 17 canções, onde a veia conceptual está menos vincada e as canções estão mais livres para ser apreciadas individualmente.Nota-se um maior esforço de Tori em voltar à fase de From the Choirgirl, mas os anos e as escolhas criativas menos perceptiveis daquela década alienaram os seus fãs. Apesar de conter grandes canções tais como That Guy, Give, Abnormally Attracted to Sin ou Lady in Blue, Tori Amos foi-se transformando fisicamente e criativamente ao longo dos anos. Só mesmo a base mais hardcore de fãs se mantiveram. Independentemente disso ATTS é um dos melhores desta ultima fase.

Em 2009 lançaria o album Midnight Graces, um album de Natal, contendo apenas 12 faixas. O album foi elogiado pela crítica pela sua capacidade de concentração. Os fãs elogiam o retorno à simplicidade, sem que isso se traduza num exito de vendas. Aplaude-se o esforço e este é um dos melhores albuns de Natal (e não digo isto por ser fã da Tori)


A Seguir : A Conclusão com Night of Hunters, uma reinterpretação de música clássica, adaptado aos valores do século 21. Schubert, Bach, Mozart numa odisseia musical.

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Tori Amos : 20 Year Tour Guide Part 1

Era o ano de 1992. O grundge estava na moda com Nirvana, Nine Inch Nails, Pearl Jam, Metallica no auge da sua popularidade e eis que Tori Amos chega de rompante e cativa tudo e todos, com a sua postura sexy frente ao Piano, letras pessoais e absolutamente comoventes, bem como satíricas e relevantes para altura. Little Earthquakes toma de assalto o box office e assina um dos melhores albuns daquele ano e torna-se a voz para muitas jovens que se identificam com a sua letra. Winter é um óptimo exemplo disso mesmo, num album cheio de clássicos como Crucify, Precious Things ou o assombroso Me and a Gun, onde ela fala abertamente sobre a sua violação e a forma como ela se sentiu de uma forma tão aberta e sincera que ninguém fica indiferente.

Em 1994, chegava Under the Pink, o cunho pessoal mantém-se, ainda mais minimalista. Pessoalmente a fórmula neste está mais enigmática. Muitos preferem a acessibilidade do anterior. Eu prefiro as paisagens minimalistas de Icicle, Baker Baker, o Classico Cornflake Girl ou a odisseia orquestral que é Yes Anastacia.

Em 1996 viria aquele em que Tori Amos apresentaria o seu trabalho mais díspar, uma obra prima épica de 18 musícas, enigmáticas, cheias de referências pessoais. Muitos sentiram o album como uma experiência frustrante, fechado em si mesmo, o que contrastou com a abertura e a sinceridade dos anteriores. Com uma imagem mais provocativa, Tori Amos estava a reinventar-se, a tornar-se mais autónoma e com isso mais fascinante.

1998-1999 seria o Ano em que Tori Amos se voltaria para um som mais electrónico instrumental. Viria com dois trabalhos seminais, que muitos representam como sendo a sua fase favorita. From the Choirgirl Hotel e From Venus and Back. Daí sairiam clássicos absolutamente majestosos como Spark, Cruel, iiee, Jackie Strength ou 1000 Oceans que mostravam uma Tori Amos vulnerável. novamente acessível, sempre experimental e em consonância com os seus fãs.

Amanhã virá a segunda parte, que incidirá numa segunda fase, menos prolifera em êxitos, mas igualmente fascinante. O conceito aqui é a partilha e se houver alguém se identificar da mesma forma como eu me identifiquei com Tori Amos, então já terei o dia ganho e facilmente descobrirão a artista completa que ela é.