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C.R.A.Z.Y (2005)

C.R.A.Z.Y representa o nome dos cinco filhos da família Beaulieu : Christian, Raymond, Antoine, Zachary e Yvari.  O interessante do filme é que Jean-Marc Vallée incorporou de forma algo leve temas sérios como a homossexualidade, a repressão e onde se origina a homofobia ou a própria noção de felicidade, sem prejudicar a leveza do filme. Isso é notório, quando a meio do filme numa cena entre os pais, onde discutem a homossexualidade do filho, e a mãe relativiza com experiências que ambos experimentaram, reparamos que o realizador mantendo a simplicidade da narrativa consegue almejar mais alto naquilo que quer expressar.

Zachary nutre uma ligação especial com o pai, ligação essa que se perde, quando o pai o vê em roupas femininas a cuidar do irmão mais novo. A partir dai, ele irá reprimir a sua sexualidade em prol de uma ligação mais profunda com o seu pai. O filme é uma odisseia à reconquista dessa ligação e de descoberta. O realizador opta por incorporar elementos religiosos na personagem, onde nascendo no dia de natal, numa família disfuncional, ele tivesse que fazer a sua travessia no deserto, os seus 40 dias para exorcizar os demónios do passado. São pequenos artíficios que entretêm e não prejudicam a essência da narrativa que são as suas personagens.

O dom de Zachary acaba por surgir no final, onde perante a tragédia, o pai percebe verdadeiramente o que é importante ou acessório, num momento incrivelmente comovente. Muitos poderão contestar que a homossexualidade de Zachary está demasiado underplayed durante o filme, nos momentos finais  percebemos que esse nunca terá sido o objectivo do realizador e o que este poderia ser o lar de muita gente.

 80% by Porcupine

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