The Children’s Hour (1961)

 

25 anos depois de ter adaptado a peça de Lilian Hellman, William Wyler (Ben Hur, Funny Girl) em These Three, resolve fazer um remake do mesmo, com Audrey Hepburn e Shirley McClaine. A versão anterior tinha colocado a personagem de Joe no centro deste triângulo amoroso, por forma a contornar o Hays Code, que bania qualquer alusão a conteúdo homossexual, por isso o realizador em 1961, resolve adaptar a peça como originalmente foi concebida, onde duas professoras Martha (Shirley McClaine) e Karen (Audrey Hepburn) vêm a sua vida profissional e pessoal arruinada através de um rumor de que estas teriam um romance lésbico.

Esse rumor é colocado por Mary que rapidamente chantageia Rosalie (uma jovem Veronica Cartwright) a corrobar na sua versão. O filme explora mesmo o poder corrosivo de uma mentira, através da discriminação e da conotação negativa que a homossexualidade tinha na altura. Apesar de Martha confessar o seu amor a Karen no final, acho incrível como ambas as actrizes apesar de suspeitarem, nunca discutiram sobre a sexualidade das suas personagens, nem mesmo as suas opções finais. Tudo estava tão cripticamente concebido para que tanto dos actores. como da produção, não existisse a mínima possibilidade de censura.

Vejo o filme como um dos primeiros exemplos da questão do orgulho gay. Pessoalmente considero a personagem Karen, seminal nesse aspecto. No final, a forma como ela caminha orgulhosa, perante todos, inclusivamente o seu ex-noivo Joe é sobretudo, um testemunho de inocência confirmada, mas a meu ver, um coming out implícito. A peça está eximia na forma como é necessária a mentira para que uma parte veja a verdade sobre si mesma. Por isso considero que a tragédia surja igualmente como um awakening à personagem de Audrey Hepburn.

Da tragédia surge a esperança, e de uma mensagem aparentemente negativa ( a forma como o lesbianismo é ocultado e o fatalismo da sua personagem) acaba-se por ressurgir, uma mensagem de orgulho e de auto-afirmação, inabalável e consciente. Com uma excelente fotografia e boas interpretações do trio protagonista, sente-se que The Children’s Hour envelheceu bem, no sentido em que é um dos testemunhos cinematográficos da discriminação à comunidade LGBT nesta industria e a forma como os seus criadores tentar dar a volta à situação com uma mensagem implicitamente mais positiva.

Os termos faltam, peças narrativas faltam (todo o processo de tribunal foi ocultado), mas isso acaba por ser a impressão digital deste filme na história do cinema. Quem sabe não poderá haver um terceiro remake, reformulando o argumento e dando um novo enfase não ao relacionamento lésbico, mas sim a um relacionamento entre o trio de protagonistas? A bissexualidade não está na moda? Just a thought 🙂

77% by Porcupine

Anúncios

2 opiniões sobre “The Children’s Hour (1961)”

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

w

Connecting to %s