3 (2010)

de Tom Tykwer

Receita nos E.UA $35,070

Um bailado moderno e cosmopolita…

… onde as personagens são cultas, citam Freud, envolvem-se em tramas shakesperianas, como um bailado de situações em que são irresistivelmente atraídas e manipuladas. Aliás o filme acaba assim: num laboratório a sugerir que as duas horas que acabamos de assistir são fruto da imaginação e manipulação do seu criador. Ou não serão?

O filme conta a história de Anna e Simon, um casal de namorados de há 20 anos. A rotina leva-os ao desinteresse mútuo :  numa sequência de vários momentos da relação vemos que Simon já teria fingido o orgasmo. Tudo muda quando ambos conhecem Simon e leva a que ambos se apaixonem por ele… Sem que ninguém saiba a relação existente entre as 3 personagens.

O filme explora tantas temáticas, desde o adultério, ao duvidar da orientação sexual, do tema da morte às questões morais sobre a tecnologia e a forma como os seus avanços  tendem a moldar os procedimentos biológicos e logicamente existe um conflito inevitável entre fé e ciência.

O realizador volta a afirmar a influência que Kiewsloski, pois voltamos a ver alguma da poesia narrativa e visual que vimos em Heaven (2002), só que aqui transposta para um cenário mais actual e urbano : sociedade de consumo que enterra as suas fantasias em prol de uma vida estável e rotineira, acabando-se por se perderem e alienar. Anna e Simon estão assim, daí que aparece Adam aka Adão, o fruto proibido do adultério para aliciar Anna e Simon e voltar a dar alento às suas vidas.

O que gostei neste filme é que não existe estereótipos. As personagens são sexuais e racionais perante ao adultério e à homossexualidade. Neste bailado shakesperiano (por alguma razão é citado Hamlet) . os sentimentos por Adam são reais e credíveis, sem que sejam caricaturados ou que este os menospreze. Isso é admirável pois tal grau de imparcialidade é muito difícil de atingir em filmes deste género.

Alguns pontos que estarão menos desenvolvidos: a personagem da mãe acaba por apenas ser um ponto de ligação entre a questão da morte (suícida-se depois de contar que tem cancro pancreático em fase terminal) e da doença de Simon ( descoberta de cancro testicular 24h depois da morte da mãe), mas ao ver o filme senti que aquela parte acaba por ser um momento dispensável do filme, apenas e só para para apresentar o elemento de fantasia do filme, da coincidência dos factos aquando o suícidio. O verdadeiro elo emocional do filme surge na ultima metade do filme, sem qualquer ligação com esta personagem.

Independentemente deste ponto mais fraco, Drei é um filme bastante rico em conteúdo. Vejo-o como uma versão europeia de ” She Hate me” de Spike Lee, um filme que foi incrivelmente repudiado e subvalorizado pela crítica norte-americana. Com Drei a critica norte-americana foi mais meiga, mas mesmo assim teve algumas críticas negativas. O ponto comum que vejo nestes dois filmes é que ambos à sua maneira tentam ir ao âmago das relações e as conclusões a que chegam apesar de ser a mais lógica em termos narrativos e lógicos acaba por ser aquela que moralmente é mais discutível e polarizante de opiniões.

Por esse feito Drei como filme de Spike Lee são filmes admiráveis.

85% by Porcupine

Estreia em Novembro nas salas Portuguesas

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s